Cuidar de quem cuida: saúde mental materna também é parte do nosso olhar
Entenda o que é Psicologia Perinatal, por que o sofrimento materno ainda é silenciado e como o cuidado com a mãe faz parte do cuidado com o bebê.
A maternidade chega com muita expectativa. Alegria, amor, gratidão – esses são os sentimentos que se espera que uma mãe sinta. E eles existem, de verdade. Mas junto com eles podem vir outros sentimentos que ninguém avisa: o cansaço que não passa, a ansiedade que não tem nome, a sensação de estar fazendo tudo errado, o choro sem motivo aparente.
E aí vem o silêncio. Porque falar parece ingratidão. Porque pedir ajuda parece fraqueza. Porque “todo mundo passa por isso”.
O que você está sentindo tem nome
A gestação e o puerpério são períodos de transformação profunda, não só no corpo, mas na identidade, nos relacionamentos, na forma como você se vê no mundo. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, muitas vezes sem espaço para respirar. E para algumas mulheres, essa intensidade pode desencadear ansiedade, depressão, esgotamento emocional, ou trazer à tona algo que já existia antes, mas que a maternidade amplificou. Isso que você sente não é fraqueza. É o peso real de um momento que exige muito, e que raramente vem com o suporte que merece. Muitas mães chegam ao limite sem nunca ter tido um espaço para falar sobre como estão. Não porque não precisavam, mas porque ninguém disse que esse espaço existia, que o sofrimento delas também importava.
“A chegada de um filho é um momento de extrema vulnerabilidade e de muitos desafios para a família, especialmente nos primeiros meses. Por isso, a gente precisa ter sempre um olhar direcionado para esses cuidadores.”
A Psicologia Perinatal é a área da saúde mental dedicada exatamente a esse período – da gestação até o puerpério.
Ela não espera o colapso para agir. Ela acompanha, acolhe e previne. Ajuda a mulher a atravessar as transformações da maternidade com mais recursos emocionais e sem precisar fazer isso sozinha.
Porque cuidar da saúde mental nesse período não é luxo, mas sim, é parte essencial do cuidado com a família inteira.
Uma mãe que se sente acolhida cuida melhor. Não porque ela seja mais forte, mas porque ela não está sozinha.
“A criança é um reflexo total dos pais e de tudo ao redor dela. O desenvolvimento, o comportamento e até mesmo a alimentação são influenciados pelo ambiente em que ela vive. Além disso, ela depende completamente das pessoas que cuidam dela – então eu não tenho como pensar em cuidar de uma criança sem olhar primeiro para quem cuida dela.”
Aqui, a gente acredita que cuidar do bebê começa por cuidar de quem cuida dele.
Por isso, a Alaya Caldas, psicóloga especializada em Psicologia Perinatal, acompanha as famílias do Recanto desde a gestação: com escuta, presença e um olhar que entende o quanto esse período pode ser, ao mesmo tempo, tão lindo e tão pesado.
Se algo nesse texto fez sentido pra você, você não precisa estar no limite para buscar apoio.
Pode começar antes disso.
“A expectativa de que a mãe dê conta de tudo sozinha é irreal e adoecedora. Crianças precisam de cuidado, mas mães também. Ambas se beneficiam quando existem rede de apoio e espaços seguros onde a mãe possa ser acolhida, escutada e validada. Mas mesmo quando essa rede existe, muitas mães não conseguem aceitar ajuda, porque internalizaram que cuidar é responsabilidade delas, e pedir apoio parece fraqueza ou descuido. Dizem que é preciso de uma aldeia para criar uma criança, mas o que pouco se fala é que essa aldeia também precisa existir para cuidar da mãe.”aproveitado ao máximo.”